Há quem diga: o que vem de fora sempre é melhor, produto exportação, com exceção dos "made in china", "made in coreia".
Um exemplo: Embora o Rio Grande do Sul seja um dos principais produtores de vinho e de boas castas, é mais chic beber vinho chileno. Imagine-se, aqui em Livramento, receber alguém que você considera importante, servir um vinho Almaden, ou Santa Colina (produzidos aqui no paralelo 31), tendo do outro lado da linha divisória os Free-shops que vendem as mais variadas bebidas estrangeiras.

Já nascemos tatuados, e dentro das nossas casas não encontramos nada genuinamente brasileiro.
Se o assunto for automóvel, antes mesmo de se aprender dizer "mamãe" já se diz: "GM", "Ford"... Aprendemos essa linguagem, a gostar de "foot ball", "cine american", "coca-cola". American way of life... Enfim. Nos descobrimos pelos outros. Nos moldamos pelos outros.

São Paulo cresceu junto à Light, às montadoras americanas.
Mas paremos por aqui... O assunto é carro popular.
Será que nossas empresas automotivas não possuem tecnologia e capacidade para produzir um carro popular tipo o "nano"? Ao preço do "nano" lá na Índia, por exemplo?
Já tivemos, temos, mas não queremos.
Por que produzir um carro ao custo médio ao consumidor de 10 mil reais, se há compradores que pagam 20 mil pelos populares brasileiros (produzidos pelas multinacionais)?
Vamos a um pouco de história...
Crise sempre tivemos, de dez em dez anos... E as empresas recorrem aos governos. Não está acontecendo isso agora? Até a Yeda quer ajudar a GM.
Recordemos...
Carros produzidos pela empresa brasileira GURGEL
Década de 1990:
Falência da Gurgel
Endividada, a empresa recorreu a empréstimos junto ao governo federal, de José Sarney, que jamais pagaria.
Em 1990 a Gurgel mostrava o Motomachine. Inicialmente, apenas os acionistas podiam comprar o carro.
O novo governo do Brasil, do presidente Fernando Collor de Melo, tomou medidas que prejudicaram a Gurgel. A primeira delas foi isentar todos os carros com motor menor que 1000cm3 do IPI - o que levou as grandes montadoras estrangeiras instaladas no país a lançar quase que instantaneamente carros com preços similares ao BR-800, mas com mais recursos. Outra medida do governo Collor foi liberar as importações de veículos. Mesmo pagando aliquota de 85%, o Lada Niva, era mais barato que os jipes produzidos pela Gurgel. (Lembram do argumento de Collor, que os carros brasileiros eram umas carroças? Pois elle liberou a importação dos carros "Ladas". Nada contra esses carros, mas em que eram melhores que os Gurgeis?)
Em janeiro de 1991, o BR-800 deixou de ser produzido, assim como todas as linhas de jipes da empresa. Terminava assim uma das duas fontes de recursos da Gurgel. Também naquele ano, os bancos estatais Banespa (do São Paulo) e BEC (do Ceará) concederam novos empréstimos (sem garantias) à Gurgel.
Tentando se manter viva no mercado, a Gurgel lançou em 1992 uma evolução do BR-800, o Supermini. O próximo projeto, batizado de Delta, seria um novo carro popular que usaria o mesmo motor Gurgel Enertron e custaria entre US$ 4000 e US$ 6000, mas não chegou a ser fabricado. A Gurgel chegou a adquirir algumas das máquinas-ferramenta que acabaram não sendo usadas.
Atolada em dívidas e enfraquecida no mercado pela concorrência das transnacionais, a Gurgel pediu concordata em junho de 1993. Em uma última tentativa de salvar a fábrica, em 1994, foi feito um pedido ao governo federal para um financiamento de US$ 20 milhões à empresa, mas este foi negado, e a fábrica encerrou suas atividades em 1994.

Gurgel BR-800 era o nosso carro mais barato, mas foi boicotado pelas grandes montadoras.

E o "nano" será importado por aproximadamente 24 mil reais. Possivelmente, muitos filhos dos nossos burgueses ganharão um brinquedinho desses.
Será que as atuais industrias automobilisticas brasileiras (todas multinacionais) terão o mesmo tratamento que teve a Gurgel?



















































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